Clube de Anestesia Regional

Reuniões CAR - 2010

TROMBOFILIA EM OBSTETRÍCIA (Resumo)

A doença tromboembólica é a principal causa de mortalidade materna nos países desenvolvidos.

A incidência de trombofilia em grávidas com complicações é de 49-65%, em comparação com 18-22% nas gestações normais. 

As trombofilias hereditárias são a principal causa de tromboembolismo materno e estão associadas a um aumento de complicações na gravidez. Estima-se que, em geral, a presença de trombofilia aumente de 3 a 8 vezes o risco de desfechos obstétricos adversos (préeclâmpsia severa, perdas gestacionais precoces e tardias, atraso do crescimento fetal, descolamento placentário e outros), mas os estudos são bastante controversos.

As heparinas de baixo peso molecular (HBPM) têm sido usadas com segurança durante a gravidez e são fármacos úteis na prevenção e terapêutica do tromboembolismo venoso.

A anestesia regional (epidural ou bloqueio subaracnoideu) está contra-indicada durante a administração de terapêutica anticoagulante, devido ao aumento (se bem que não quantificado) do risco de hematoma epidural. Sendo pedida anestesia regional para uma grávida recebendo terapêutica anticoagulante, um parto programado permitirá o planeamento da redução da dose ou a mudança para heparina não fraccionada (HNF).

Por forma a evitar efeitos anticoagulantes não desejados durante o parto (especialmente na anestesia do neuroeixo), nas grávidas que estão a receber dose ajustada subcutânea HNF ou HBPM, a administração pode ser descontinuada 24 a 36 horas antes do parto ou cesariana electiva.  

A terapêutica pós-parto com HBPM ou HNF deve ser reiniciada tão cedo quanto se considere seguro fazê-lo, geralmente 12 a 24 horas após o nascimento.

  • 26/03/11