O Bloqueio Subaracnoideu (BSA) apresenta características ideais para anestesia em cirurgia ambulatória (CA). É fácil de executar, estando associado a uma taxa de sucesso perto dos 100% e provoca um bloqueio cirúrgico profundo, de início rápido e duração previsível. Outros benefícios que o BSA proporciona são a analgesia e a redução das náuseas e vómitos pós-operatórios, o que pode ser útil na redução das admissões por esses motivos.
Além destas vantagens associadas ao BSA, a sua realização em CA é essencial para o alargamento do universo dos doentes elegíveis para cirurgia em regime de ambulatório, permitindo incluir doentes com patologias associadas mais severas.
De forma a ser adequado para CA o BSA deve ser modificado. A extensão e duração do bloqueio motor devem ser reduzidas, bem como os efeitos laterais associados ao BSA, mantendo um nível de anestesia eficaz. Uma boa opção é a associação de baixas doses de anestésico local com um opióide.
As características da lidocaína tornam-na ideal para usar em CA, no entanto, os efeitos laterais limitam o seu uso, sendo mesmo de questionar se deveria continuar a ser administrada por via intratecal no séc. XXI. A bupivacaína em doses baixas tem demonstrado ser eficaz para CA. As respostas individuais a doses baixas de bupivacaína são variáveis, no entanto, existem técnicas para tornar o bloqueio eficaz, como a associação de fentanil, a administração rápida do anestésico local e a lateralização do bloqueio. Actualmente a discussão está centrada no limite inferior das doses baixas de bupivacaína.
O avanço tecnológico das agulhas de raquianestesia permitiu reduzir a incidência de cefaleias pós-punção para menos de 3% e este foi um dos factores mais importantes para possibilitar a realização do BSA em CA. A retenção urinária é uma complicação possível mas rara, se forem respeitadas as especificidades do BSA em regime de ambulatório. Doentes de baixo risco podem ter alta para o domicílio sem terem iniciado micção, desde que devidamente informados.
Fátima Cruz